Horā-śāstra: o estudo do tempo – Astrologia Védica

Horā-śāstra: o estudo do tempo – Astrologia Védica>>  Esse é um dos termos usados para designar a astrologia (jyotiṣa).

Śāstra refere-se a esse conhecimento na sua qualidade de uma ciência tradicional, enquanto horā é, de acordo com alguns, uma corrupção da palavra ahorātra, onde aho se refere ao dia e rātra a noite[1].

Logo, pode-se concluir que a palavra horā está diretamente relacionada ao movimento do tempo, o qual sempre se alterna entre o movimento dos dias e das noites, expressando assim a dualidade inerente ao mundo.

O que seria então o horā-śāstra senão a ciência que estuda o movimento do tempo?

Horā-śāstra: o estudo do tempo – Astrologia Védica – O que seria então o horā-śāstra senão a ciência que estuda o movimento do tempo?

A filosofia vedānta, o ponto culminante do pensamento védico, expõe a existência de três tattvas (verdades axiomáticas) que compõem a nossa realidade material ou o campo onde se efetivam todas as ações (kṣetra):

(1) o karma ou o ciclo infindável de ações e reações,

(2) o kāla ou o tempo eterno e

(3) prakṛti, a natureza, que é composta de oito elementos básicos

: o éter, o ar, o fogo, a água e a terra, os quais são designados elementos densos e, por fim, a mente, a inteligência e o falso-ego, denominados elementos sutis.

Esses três tattvas (karma, kāla e prakṛti) estão entrelaçados entre si e formam o tecido da realidade material.

O jyotiṣa, enquanto ciência do tempo, trata de estudá-los, uma vez que o tempo é inseparável da lei do karma e de prakṛti, a natureza.

Horā-śāstra: o estudo do tempo – Astrologia Védica e a observação dos movimentos celestes

Tal estudo é realizado através da observação dos movimentos celestes, ou seja, daquilo que se designa graha, termo que se traduzido como “planeta” perderia muito do seu significado etimológico, uma vez que graha não se refere apenas a um “corpo errante”, mas principalmente a algo que nos captura, que é capaz de nos prender.

Mas prender a que? As consequências das ações que realizamos em vidas passadas – pūrva-karma.

Horā-śāstra: o estudo do tempo – Astrologia Védica e os grahas

Os grahas, portanto, embora não sejam os causadores de nossas felicidades e tristezas (sukha-duḥkha), podem ser considerados como sendo os emissários do destino (daiva), os indicadores dos frutos que temos para colher em uma vida.

Através da observação de seus movimentos podemos, por meio da linguagem simbólica e da analogia, interpretar as experiências pelas quais um indivíduo passou, passa e irá passar no decorrer de sua existência.

Basicamente, tudo aquilo que concerne uma existência terrena particular, ou seja, tudo aquilo que vai desde o nascimento até a morte, pode ser contemplado em um horóscopo (jātaka ou horā).

Horā-śāstra: o estudo do tempo – Astrologia Védica e os demais sistemas astrológicos

Em essência, não há diferenças entre os vários sistemas astrológicos, uma vez que todos tratam de estudar a natureza do karma individual, porém, a forma como cada sistema se estrutura é sempre distinta em muitos aspectos.

O mérito do jyotiṣa, no caso, está em ser uma astrologia sideralista[2], com incontáveis técnicas preditivas, um sistema de vinte e sete nakṣatras (asterismos) que é complementar aos doze signos, uma base filosófica riquíssima – devido a sua inseparável relação com a sabedoria indiana presente nos purāṇas, upaniṣads, itihasas, etc.

-, a sua proximidade das disciplinas do yoga, a sistemática categorização das configurações astrológicas (denominadas yogas), dentre tantos outros elementos que fazem do jyotiṣa, sem sombra alguma de dúvida, o mais complexo e rico sistema de astrologia.

oṁ tat sat

[1]Varahāmihira, o autor do tratado mais basilar do jyotiṣa, o Bṛhat jātaka (15 d.C.), é quem expõem essa opinião que outros astrólogos tinham sobre as origens do termo horā (1.2).

[2]A astrologia sideralista se baseia em um zodíaco móvel, ao invés de imóvel. Logo, um horóscopo sideral, atualmente, recua todas as posições dos planetas indicadas pela astrologia tropical (que se baseia em um zodíaco imóvel, como é o caso da astrologia ocidental) vinte e quatro graus. Isso geralmente faz com que os planetas recuem um signo, mantendo assim as representações celestes/siderais de cada signo intactas.


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Gaura Hari Dāsa

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