SERMÃO DA MONTANHA IV – As bem-aventuranças

SERMÃO DA MONTANHA IV – As bem-aventuranças>> Em primeiro lugar, não devemos pensar no conceito de manso como normalmente prevalece em nossa sociedade.

Tampouco, como sendo uma pessoa um pouco fraca, até mesmo covarde, que prefere se esconder, se encolher, em vez de lutar por seus direitos.

Não.

O discípulo é sempre uma pessoa forte interiormente. Decerto,  forte a ponto de ser capaz de enfrentar situações para manter uma conduta previamente auto-estabelecida.

SERMÃO DA MONTANHA IV – As bem-aventuranças – Os Mansos

Então, o manso a que Jesus se referia é aquele que alcançou a ausência de eu. É aquele iluminado que entende que deve conformar-se à vontade de Deus.

Conquanto expressa total inofensividade em sua vida.

Por isso ele é manso.

E, logicamente, num sentido espiritual, quem é inofensivo, quem se conforma com a vontade de Deus, pode ser confiado pelo Supremo Bem com o poder sobre as coisas do mundo, o poder sobre a manifestação.

Então, nesse sentido, os mansos herdam a terra

“Bem-aventurados os aflitos porque serão consolados”.
Algumas versões da Bíblia traduzem esse versículo como, “bem-aventurados os que choram”.
Decerto, a ideia é praticamente a mesma.
Não se trata aqui meramente da dor.
A dor, refletindo uma cobrança cármica pode ser uma grande instrutora, mas certamente, não é uma fonte de bem-aventurança.

SERMÃO DA MONTANHA IV – As bem-aventuranças – A Dor

Então, não se trata de uma aflição pela perda dos bens, da saúde ou de um ser amado, que traz a consolação a que se refere esta bem-aventurança, a consolação do Supremo Bem.
Porque somente o Supremo Bem poderia trazer bem-aventurança.
Aqueles que se afligem pelas coisas do mundo, expressam seu apego pelo que foi perdido.
E geralmente expressam esse apego com ressentimentos e mágoas, o que não é atitude espiritual.
Verdadeiramente, a aflição que traz o consolo da bem-aventurança é a aflição pela ausência da graça divina.
O homem comum chora pela perda das coisas desse mundo, o homem espiritual se aflige pela perda do estado original de união com Deus.
Nesse caso, o discípulo sente que perdeu aquilo que tinha de mais precioso: o deleite constante da Presença de Deus.
A criação é, na verdade, uma saída do seio de Deus.
Portanto, sua alma, tendo despertado para a realidade última, anseia voltar para o seio de Deus. Para a união com o Pai Celestial.
Esta é a aflição que faz com que a pessoa seja consolada com a bem-aventurança.

SERMÃO DA MONTANHA IV – As bem-aventuranças – A Justiça

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque serão saciados”.

A leitura literal deste aforismo pode levar a enganos, pois muitos podem imaginar que Jesus estava ensinando que o homem não precisa fazer força, já que seus anseios serão atendidos por Deus.
Ora, isso levaria as pessoas que assim acreditassem, a buscar uma situação de “sombra e água fresca”, como expressa o ditado popular.
Nesse caso, não fariam força, não se engajariam na vida do mundo, tornando-se indolentes, verdadeiros parasitas para a família e para a sociedade.
Jesus não se referia à justiça desse mundo.
No sentido espiritual, o que Jesus se referia como justiça era o conhecimento divino.
Os que têm fome e sede do conhecimento divino, sabem que devem buscar esse conhecimento avidamente, bater insistentemente à porta e pedir a graça de todo o coração.

SERMÃO DA MONTANHA IV – As bem-aventuranças – Os ativistas

São esses indivíduos que são referidos, mais adiante na Bíblia, como sendo aqueles que tomam o reino do céu pela força.
Esses ativistas serão obviamente, saciados.
Quando examinamos mais atentamente vemos que com o conhecimento divino, percebemos a divina justiça.
A lei do carma, a suprema justiça, estipula que a graça seja concedida, na medida em que as pessoas se esforçam para obtê-la.
Entretanto, ela só pode ser obtida pela mudança interior; sempre!
Portanto, é isso que foi expresso como fome e sede de justiça.
Então, quanto mais a pessoa se engaja na busca do conhecimento divino, pela lei do carma, quanto mais se esforça, quanto mais se engaja, maiores as chances de resultados favoráveis.
No início da busca interior, a graça vem como inspiração e força para continuar o processo de mudança interior.
Quando essa ocorre, chega finalmente o momento em que a graça se manifesta como a presença de Deus.

Raul Branco

http://www.grupomeiodoceu.com/internas/2018/08/14/o-sermao-da-montanha-i-por-raul-branco/

http://www.grupomeiodoceu.com/internas/2018/08/25/sermao-da-montanha-ii-por-raul-branco/

http://www.grupomeiodoceu.com/internas/2018/10/14/sermao-da-montanha-iii-as-bem-aventurancas/



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material originário do antigo site Meio do Céu - Claudia Araujo, hoje denominado Grupo Meio do Céu - Claudia Araujo e composto por diversos novos colunistas. Essa é uma maneira de preservar o material do antigo site, assim como homenagear aqueles que não mais escrevem no site e/ou não mais estão entre nós nesse plano da existência. Claudia Araujo

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