Cruz e Souza o Poeta Abolicionista

Cruz e Souza um poeta simbolista brasileiro.

Ele foi o precursor do movimento simbolista no Brasil com a publicação de suas obras “Missal” (prosa) e “Broquéis” (poesia) em 1893

“Missal” e “Broquéis” são consideradas as obras que inauguram no Brasil o Simbolismo, movimento literário do século 19 que defende a presença da emoção e da subjetividade humana na arte.

Elas são de autoria de Cruz e Sousa, um dos ícones da escola simbolista no país.

“Missal” destaca-se, para começar, pela forma: são poemas em prosa, um estilo bastante singular para a literatura nacional de até então.

Diz-se que esse estilo foi inspirado no francês Charles Baudelaire.

Patrono da Academia Catarinense de Letras, representando a cadeira número 15.

Ao lado de Alphonsus de Guimaraens, ele é um dos mais importantes poetas do movimento no país.

Cruz e Souza – história

Filho de ex-escravos, mas sua educação foi patrocinada por uma família de aristocratas (antigos proprietários de seus pais).

Foi assim que ele estudou no Liceu Provincial de Santa Catarina.

Desde pequeno, tinha uma inclinação para as artes, língua e literatura.

Em Santa Catarina trabalhou como escritor no jornal abolicionista “Tribuna Popular”, além de ter sido diretor.

Quando jovem, sofreu discriminação racial, posto que foi proibido de assumir o cargo de promotor público em Laguna – SC

Mais tarde mudou-se para o Rio de Janeiro.

Na cidade maravilhosa, ele foi colaborador do jornal “Folha Popular” e das revistas “Ilustrada” e “Novidades”.

Ademais, trabalhou como arquivista na Estrada de Ferro Central do Brasil.

Esse momento trágico de sua vida está refletido em algumas de suas obras, as quais estão pautadas nos temas da solidão, dor e sofrimento.

Após o ocorrido, sua esposa que sofreu muito, começa a apresentar problemas mentais.

Cruz e Souza também foi acometido pela tuberculose

Assim, resolve mudar para Minas Gerais com o intuito de melhorar sua saúde.

Faleceu na cidade mineira de Curral Novo, em 19 de março de 1898 com 36 anos, vítima de tuberculose.

Note que as publicações de Cruz e Souza para os jornais estavam, muitas vezes pautadas no tema do racismo e do preconceito racial.

Segundo Antonio Candido, Cruz e Sousa foi o “único escritor eminente de pura raça negra na literatura brasileira, onde são numerosos os mestiços”

Seus poemas são marcados pela musicalidade (uso constante de aliterações), pelo individualismo, pelo sensualismo, às vezes pelo desespero, às vezes pelo apaziguamento, além de uma obsessão pela cor branca.

É certo que encontram-se muitas referências à cor branca, assim como à transparência, à translucidez, à nebulosidade e aos brilhos, e a muitas outras cores, todas sempre presentes em seus versos.

Sua busca pela “arte perfeita” o conduz tanto ao extravasamento dos dilemas sofridos pelos negros quanto ao embate íntimo, expresso no desejo de pertencer à mesma sociedade que o exclui.

Neste sentido, o homem vê-se sem seu lugar da sua arte, sendo que ambos coexistem à sombra dos paradoxos, constituindo um dos elementos da estética da linguagem Sousa cruziana.

No seu poema em prosa Condenado à Morte (“Evocações”, 1898), podemos encontrar evidências destes choques de identidade.

Estética e vida real o assombram e, para atingir a arte idealizada, a dor é o caminho a ser trilhado

Enquanto o contato social caracteriza o cotidiano preenchendo-o com as agitações de um mundo doente, o isolamento aparece como uma sorte de bênção que permite ao poeta o exercício pleno da contemplação e da descoberta da verdade.

“Isolado do Mundo, no exílio da Concentração, solitário, na tristeza majestosa…

Contradições também são vistas no poema Da Senzala (“O Livro Derradeiro”, publicação póstuma).

Abaixo, é possível notar que, para aqueles cuja existência estivesse soterrada pela rudeza e dor, não haveria uma saída possível notar que, para aqueles cuja existência estivesse soterrada pela rudeza e dor, não haveria uma saída possível sem uma passagem pela violência.

O lugar onde se encontra (a senzala) e a brutalidade expressa pelo sofrimento diário e incessante do trabalho forçado são capazes de tirar a razão do homem.

Sem razão, sem um sentido pelo qual viver, sem um espaço reconhecido como lar, o que resta a este homem então?

O autor aponta que, destituindo-se o homem de si mesmo, alimenta-se o criminoso.

Observemos o poema:

“De dentro da senzala escura e lamacenta
Aonde o infeliz
De lágrimas em fel, de ódio se alimenta
Tornando meretriz

A alma que ele tinha, ovante, imaculada Alegre e sem rancor,
Porém que foi aos poucos sendo transformada
Aos vivos do estertor…

De dentro da senzala
Aonde o crime é rei, e a dor – crânios abala
Em ímpeto ferino;
Não pode sair, não,
Um homem de trabalho, um senso, uma razão… e sim um assassino!”

Cruz e Sousa travou uma luta não só para expressar-se sobre a sociedade de seu tempo, mas também para compreender-se enquanto homem e artista.
Sua escrita foi, por um lado, tomada como arma para combater aqueles que o renegavam e, por outro, um objeto sagrado usado para reverenciar seu anseio de fazer-se notar por sua força estética e pela sua plenitude humana.

No Rio casou-se com Gavita Gonçalves em 1893, e com ela teve quatro filhos

Infelizmente todos morreram prematuramente de tuberculose

Nota: Embora quase metade da população brasileira já naquela época seja não-branca, poucos foram os escritores negros, mulatos ou indígenas.

Cruz e Sousa, por exemplo, é acusado de ter-se omitido quanto a questões referentes à condição negra.

Mesmo tendo sido filho de escravos e recebido a alcunha de “Cisne Negro”, o poeta João da Cruz e Sousa não conseguiu escapar das acusações de indiferença pela causa abolicionista.

A acusação, porém, não procede, pois, apesar de a poesia social não fazer parte do projeto poético do simbolismo nem de seu projeto particular, o autor, em alguns poemas, retratou metaforicamente a condição do escravo.

Cruz e Sousa militou, sim, contra a escravidão. da forma mais corriqueira, fundando jornais e proferindo palestras por exemplo, participando, curiosamente, da campanha antiescravagista promovida pela sociedade carnavalesca Diabo a quatro, quanto nos seus textos abolicionistas, demonstrando desgosto com a condução do movimento pela família imperial.

Ele foi apelidado de “Dante Negro” em referência ao escritor humanista italiano Dante Alighieri

Um afro abraço.

Claudia Vitalino.



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Claudia vitalino

UNEGRO-União de Negras e Negros Pela Igualdade -Pesquisadora-historiadora CEVENB RJ- Comissão estadual da Verdade da Escravidão Negra do Estado do Rio de Janeiro Comissão Estadual Pequena Africa. Email: claudiamzvittalino@hotmail.com / vitalinoclaudia59@gmail.com

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