Photoshop, Lightroom e tratamento de imagens digitais

Photoshop, Lightroom e tratamento de imagens digitais

Os softwares de tratamento de fotografias são hoje uma realidade no mercado.

Porém há que se analisar criticamente seu papel na arte fotográfica.

A primeira questão que surge é: fotografar não se restringe nem nunca se restringiu ao trabalho de fotógrafo propriamente dito – escolher as cenas, regular o equipamento, definir efeitos e produzir a imagem – porque inclui também gerar o produto final, seja em laboratório de revelação, seja num software de tratamento de imagem. Isso implica em duas possibilidades: ou o fotógrafo se qualifica também em revelação de filmes ou em tratamento digital de imagens ou terá que terceirizar estes trabalhos.

No passado os filmes eram passados para revelação.

Se o próprio fotógrafo não revelasse seus filmes, seu trabalho seria influenciado por um estranho totalmente alheio a seus desejos.

Um exemplo: se na hora da captura da imagem o fotógrafo escolhesse uma forma bem contrastada de captura e o responsável pela revelação não soubesse disso, é bem possível que o trabalho fosse perdido ou não alcançasse os resultados pretendidos.

Hoje a realidade é parecida; ou o fotógrafo se habilita a tratar suas imagens digitalmente ou assume o risco de seu trabalho ser inadvertidamente modificado na direção oposta à desejada.

Como escapar dessa armadilha?

Aprimorando a técnica fotográfica para progressivamente precisar menos e menos do tratamento digital. Erros de iluminação, de enquadramento, de balanço de branco e de nitidez não deveriam ser pauta de pós-tratamento, mas evitados durante a captura.

É dessa maneira que softwares de tratamento se tornam auxiliares importantes, sendo limitados a pequenos retoques e efeitos de cores. Usá-los para correção de erros técnicos da fotografia é incoerente e contraproducente.

A segunda questão envolvendo os softwares de tratamento de imagens é a padronização de seus resultados. Hoje em dia as fotografias são, em sua grande maioria, tratadas digitalmente de forma praticamente única – e os resultados disso são monótonos e, pior, mentirosos.

A perfeição obtida com o tratamento digital é falsa, enganosa e desperta desconfiança do trabalho.

Uma fotografia de um homem de sessenta anos sem rugas esconde sua história, seus feitos e destrói o retrato.

Uma fotografia de uma mulher com o corpo perfeito sem nenhuma mancha ou assimetria intimida, não provoca a mínima simpatia.

Photoshop, Lightroom e tratamento de imagens digitais

Claro está que filosoficamente a fotografia não retrata a realidade, porém não se trata disso; manipular exageradamente as imagens equivale a mentir.

São célebres dois casos de fotografias de moda em revistas onde em um a modelo saiu sem umbigo e noutro o casal dançando apareceu com cinco pernas…

Por fim, não quero parecer inimigo do tratamento de imagens; acho os softwares atuais ferramentas úteis e necessárias, desde que não seja utilizada para esconder a incapacidade do fotógrafo nem produza imagens herméticas e falsas.

Em tempo: para padronização de linguagem vale lembrar que “editar” fotos é a ação de escolher quais fotografias entram ou saem de um trabalho; “tratar” fotos significa modificar levemente luz, exposição, intensidade e tons de cores e recorte.

Photoshop, Lightroom e tratamento de imagens digitais

E “manipular” imagens passa por modificá-las totalmente, colocando asas em um modelo, mudando as medidas de sua cintura ou alterando o fundo da fotografia.

É isso.




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Alexandre Périgo

Mais um em meio à multidão. alexandreperigo@uol.com.br

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