Fotografia – Seu Advento

Fotografia

O advento da fotografia é o resultado da somatória de uma coletânea de descobertas e de invenções; os três componentes fundamentais de qualquer câmera fotográfica – tanto das primordiais até as mais modernas – foram desenvolvidos em momentos históricos distintos, por pessoas diferentes e também,em lugares diversos.

A fotografia surgiu portanto, da engenhosa reunião de conhecimentos em um único mecanismo.

Toda máquina fotográfica é composta por uma câmera escura, por um dispositivo ótico de entrada de luz e por um sistema de fixação da imagem projetada.

A câmera escura é um ambiente vedado à entrada de luz que propicia a formação da imagem; sua descoberta remonta à Grécia antiga, de onde há relatos remanescentes sobre sua construção e utilização para a observação de fenômenos astronômicos.

Sua concepção é gritantemente simples: trata-se de um quarto sem nenhuma iluminação com um pequeno orifício em uma de suas paredes que serve de entrada da luz para a formação da imagem, invertida, na parede oposta.

Inicialmente as câmeras escuras possuíam apenas um buraco simples para a entrada de luz.

Foram grandes mestres da pintura renascentista, obcecados com o realismo de seus retratos e usuários da câmera escura na confecção de suas pinturas, que começaram a usar um dispositivo ótico de forma a melhorar a nitidez da imagem projetada na parede de fundo.

Tratava-se inicialmente de uma lente simples produzida em vidro polido, apropriação de uma invenção do fim da idade média destinada à ampliação de objetos através de óculos, lupas e lunetas desde o século XIII.

A essa altura, dois terços do conhecimento necessário para o surgimento da fotografia já era dominado: a câmera escura e a lente para a entrada da luz que formava a imagem.

É por conta do uso destas duas invenções combinadas que hoje sabe-se que a pintura é mais do que uma arte visual relacionada à fotografia quanto à sua natureza.

É, na verdade, sua precursora.

A única diferença entre uma fotografia e a pintura desde o Renascimento é a forma de captura da imagem projetada no fundo da câmera escura; os grandes mestres usavam tela e tinta a óleo.

Faltava um método de captura da imagem diferente da pintura, que não dependesse do talento de um desenhista.

E isso aconteceu usando-se outra descoberta anterior, a da reação química de sais de prata à luz, percebida pelo italiano Angelo Sala e pelo alemão Johann Schulze, respectivamente nos séculos XVII e XVIII.

O problema inicial era que, apesar de uma placa enriquecida com sais de prata e colocada em uma câmera escura captar eficazmente a imagem projetada, à mínima exposição fora da câmera essa imagem se perdia, pois toda a prata contida no sal reagia à luz ambiente.

Em três países, quase que simultaneamente, desenvolveram-se métodos para a fixação da imagem fotográfica em um plano sem perdas com exposição posterior à luz: França através de Niépce e Daguerre, Inglaterra através de Talbot e Brasil. Sim, Brasil.

Pouca gente sabe que o termo fotografia foi cunhado em Campinas por Hercule Florence, precursor fotográfico – e devemos essa descoberta incrível que colocou o Brasil como parte inerente da história da fotografia ao genial Boris Kossoy.

A partir de então a fotografia aprimorou-se; as câmeras escuras tiveram seu tamanho reduzido, o tempo de exposição necessário para a confecção da fotografia diminuiu, os daguerreótipos e outras placas pesadas foram substituídos por filmes – e os filmes posteriormente por sensores eletrônicos – e as lentes se aprimoraram muito.

A fotografia é, desde o século XIX, parte indelével do que convencionamos chamar de humanidade.

A um só tempo registra a história e a protagoniza.

Capta costumes e os modifica.

É fruto do acúmulo de séculos de conhecimento humano, fruto de nossa inquietude frente ao desconhecido e com a natureza das coisas.

A esperança por dias melhores reside aí: que esse espírito desbravador, que escancara a faceta mais nobre do ser humano possa novamente inspirar as mentes progressistas para atravessar esse momento de tanto retrocesso intelectual e cultural.

É isso.

(para ilustrar essa postagem inclui aquela que é considerada a primeira fotografia da história, de Niépce, feita da janela de sua casa em uma placa de estanho com betume, exposta à luz solar por oito horas consecutivas)




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Alexandre Périgo

Mais um em meio à multidão. alexandreperigo@uol.com.br

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