Arquétipos – seu papel no desenvolvimento da Mulher I

Arquétipos – seu papel no desenvolvimento da Mulher I

ANDROGINIA

Costumamos desconhecer a natureza humana, assim como desconhecemos a função dos arquétipos.

isso faz, decerto, com que as pessoas acreditem que os homens sejam apenas homens, assim como as mulheres apenas mulheres.

No entanto, o que pode ser observado é que todos os seres humanos são andróginos; e portanto, possuidores de componentes tanto femininos quanto masculinos.

O primeiro homem conforme consta do livro do Gêneses, foi criado à imagem e semelhança de Deus.

No Gêneses ainda, pode ser lido que Deus era um ser andrógino.

Por analogia podemos afirmar que o primeiro homem foi criado hermafrodita, um ser andrógino, à imagem e semelhança de Deus.

Deus criou-os macho e fêmea, portanto, andrógino, e chamou-os de homem.

Ademais, a teoria que defende a androginia, o ser original onde estava contido o macho e a fêmea, é encontrada em numerosas tradições.

Diversas mitologias diferentes, dentre elas, as mitologias persa e a talmúdica falam que Deus criou um ser bissexuado.

Em suma, macho e fêmea, unidos num único ser e que posteriormente então, veio a dividir esse ser em dois.

O Homem Primordial – um ser andrógino

Uma pesquisa apurada da criação humana, pode distinguir duas fases distintas do primeiro homem: Adão.

Primeiramente, ainda na primeira fase, temos a figura de Adam Kadmon, um Ser Cósmico Universal.

Em síntese, se constituía na própria imagem do Anthropos ou do Homem Original, que era bastante semelhante ao homem redondo citado na teoria platônica. Um ser hermafrodita.

Em segundo lugar, já em outra fase, entram outros arquétipos em cena

Os arquétipos de Adão, Lilith e Eva

O arquétipo de Adão mais popularmente conhecido através dos textos bíblicos, de cuja costela foi criada a primeira mulher: Eva.

Enquanto hermafrodita, existiam Adão e Lilith, a mulher que fora criada junto ao homem, ambos saídos do barro.

Durante esse período, ambos, macho e fêmea, faziam parte da psique consciente desse Ser Primordial.

Masculino e feminino eram iguais em dignidade e ambos provinham da Mãe Terra, moldados por Deus.

Lilith então era o arquétipo da mulher primordial, era a primeira esposa e a outra metade de Adão.

Segundo os mitos, as desavenças entre eles resultaram das reivindicações por igualdade por parte de Lilith.

Tanto um quanto o outro, haviam sido criados da Terra, possuindo por direito próprio, individualidade e ego autônomos.

Entretanto, isso não correspondia aos desejos de Adão.

Ele reivindicava a submissão do feminino, retirando dele a autonomia.

Lilith não aceita.

Erich Neumann descreve em seu ensaio ”Estágios Psicológicos do Desenvolvimento Feminino”, a necessidade e o valor dessas ações heróicas por parte da mulher a fim de que se mova da fase da consciência matrimonial e patriarcal para a individuação e para um encontro do ego feminino com o Eu feminino.

¨Lilith é aquela qualidade pela qual uma mulher se nega a ser aprisionada num relacionamento.

Ela deseja os mesmos direitos de Adão, inclusive, o de ser ela própria.

Pressupõe-se de que ela foi criada ainda durante a fase matriarcal, quando o feminino era valorizado como sendo o doador da vida.

Nesse sentido, consta ainda no mito, que por não querer ser subjugada, Lilith fugiu.

Porquanto, a partir daí, Deus teria criado uma outra companheira para ele: Eva. Um novo arquétipo do feminino, e já inserido nos moldes patriarcais.

Uma vez que Eva teria sido criada de uma costela de Adão, ela lhe pertencia, era uma espécie de apêndice seu.

Lilith passa então a fazer parte da psique inconsciente de Adão, se transformando no arquétipo da anima.

O que podemos observar é que o estado humano originário é um ser andrógino, sem diferenciação.

Outrossim, é a construção do ego que separa o componente feminino do homem e o masculino da mulher.

Dessa forma, relega-os ao inconsciente.

A busca fundamental da existência humana é a fusão dos dois na psique

Tanto masculino quanto feminino
Tanto inconsciente quanto consciente.

Apenas através da união desses pares de opostos na psique, poderíamos alcançar um estado de totalidade plena. Essa é uma tarefa que nós, tanto homens quanto mulheres, batalhamos por toda a nossa vida. Na Astrologia, percebemos isso através da luta do nosso sol em iluminar os recônditos da nossa Lua, o receptáculo do inconsciente.

Tarefa difícil; contudo, as duas metades da psique precisam encontrar uma forma de diálogo entre elas para que possamos almejar um estado de equilíbrio e totalidade.

Os sonhos são o caminho mais fácil para que se estabeleça esse diálogo

segue…

crédito de imagem destacada lodewijik deurink pintor e desenhista ucraniano




Outros artigos interessantes deste mesmo autor:

Deixe seu like e siga nossa Rede Social:
0

Claudia Araujo

Aquário com Gêmeos, sou muitas e uma só. Por amar criar com as mãos, sou designer de biojóias e mantenho o site terrabrasillis.com, assim como pinto aquarelas e outras ¨manualidades¨. Por não me entender sem a busca do mundo interno do outro, sou astróloga com 4 anos e meio de formação em psicologia analítica sob a supervisão de José Raimundo Gomes no CBPJ – ISER e já mantive por anos o site Meio do Céu. Nessa nova etapa mantenho o site grupomeiodoceu.com. Dou consultas astrológicas e promovo grupos de estudo de Jung e Astrologia, presenciais e online. São várias vidas vividas numa única existência, mas minha verdadeira história começa aos 36 anos, e o que vivi antes ou minha formação acadêmica anterior, já nem lembro, foi de outra Claudia que se encerrou em 1988. Só sei que uso cotidianamente aquilo em que me tornei, e busco sempre não passar de raspão pelo mapa astrológico do outro. Mergulhar é preciso, e ajudar o outro a se transformar, algo imprescindível. Só o verdadeiro autoconhecimento pode gerar transformação. Não existe mágica, e essa autotransformação não ocorre via profissional, mas apenas através do real interesse do cliente em buscar reconhecer como se manifesta em sua vida cotidiana e qual seu potencial para a transformação. Todos somos mais do que aquilo que vivenciamos. A busca deve passar sempre pelo reconhecimento daquele eu desconhecido que em nós mesmos habita. A Astrologia é um facilitador nessa busca porque nela estão contidos tanto nossos aspectos luz quanto sombra. Ela resolve nossos problemas? A resposta é não. Ela apenas orienta no sentido do reconhecimento de nossa totalidade. A busca é do cliente. A leitura é do astrólogo, mas só o cliente poderá encontrar o caminho de sua totalidade e crescimento responsável. websites : www.terrabrasillis.com e www.grupomeiodoceu.com Fale com Claudia direto no Whatsapp

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *