ELEMENTOS EM ASTROLOGIA MÉDICA – Parte II

ELEMENTOS EM ASTROLOGIA MÉDICA – Parte II

Anteriormente, conforme vimos, a divisão dos signos zodiacais em grupos de três nos desvela os quatro elementos.
Estes, ao longo da história da medicina, irão gerar os conceitos de humores e temperamentos.
Vamos a eles.

O NÚMERO QUATRO

Desde a Antiguidade, os números três e quatro simbolizaram a estrutura do universo.
Enquanto o Três representava o divino e espiritual, o número Quatro simbolizava o mundo criado, manifestado, completo em sua totalidade.

Analogamente, os filósofos gregos da escola pitagórica compreendiam o universo como constituído por quatro elementos fundamentais: fogo, ar, água e terra.

E estes elementos eram concebidos conforme suas quatro qualidades, opostas em pares: quente e frio, seco e úmido.

Em astrologia, primordialmente, o uso dos quatro elementos foi e é vasto, variando conforme os contextos culturais e das épocas.

Entretanto, preserva ainda hoje o cerne de sua concepção original.
Similarmente, no campo da medicina, os quatro elementos levaram aos quatro humores e aos quatro temperamentos.

TEORIA HUMORAL

A doutrina humoral foi a principal explicação racional para a saúde e doença por mais de 2000 anos, entre o século IV a.C até o século XVII d.C.

A escola de Hipócrates, médico do século IV a.C, fez uma transposição dos quatro elementos para o campo da biologia e elaborou o conceito de Humor.

Para a escola hipocrática havia quatro humores. Nos primeiros textos eram sangue, fleuma, biles amarela e água; em textos mais tardios, a água foi substituída pela biles negra.

A saber, o conceito de humor era o de substâncias existentes no organismo e que regiam o seu estado de saúde.

Para haver saúde, os humores deveriam encontrar-se em correta proporção e perfeita mistura entre si.

A terapêutica, portanto, consistia em corrigir excessos e insuficiências, adequando-se à mistura original saudável.

Deste pensamento, acima de tudo, derivaram as principais estratégias terapêuticas do período: sangrias, purgativos, eméticos e clisteres.

Entretanto, dava-se também particular atenção à alimentação e à higiene (sono, ambiente, social) como fatores de promoção de saúde e correção terapêutica dos desequilíbrios.

No século II d.C, o médico Galeno revitalizou a teoria humoral e a transpôs, de certa forma, para o comportamento humano, ressaltando a importância dos quatro temperamentos.

Assim sendo, a estrutura filosófica quaternária encontrava na doutrina dos quatro humores e dos quatro temperamentos mais uma correspondência, em relação com os quatro elementos, as quatro qualidades e as quatro estações do ano.

OS QUATRO HUMORES

Conforme os textos da escola hipocrática, eram assim designados:

O sangue, produzido pelo fígado, era levado ao coração onde se aquecia, sendo quente e úmido. Sua correspondência se fazia com o elemento Ar e o temperamento Sanguíneo.

A fleuma, inicialmente tinha sua origem no cérebro e mais tarde, no sistema respiratório. Era uma secreção fria e úmida, correspondente ao elemento Água e ao temperamento Fleumático.

A bile (kolé) amarela, produzida pelo fígado, tinha características quente e seca. Analogamente, se relacionava ao elemento Fogo e ao temperamento Colérico (ou Bilioso).

Por fim, a biles negra (melan= negro e kolé= biles), era proveniente do baço e estômago e em sua essência era fria e seca. Desta forma, estava em correspondência com o elemento Terra e o temperamento Nervoso (ou Melancólico).

OS QUATRO TEMPERAMENTOS

Há, portanto, quatro temperamentos clássicos conforme os elementos que lhe correspondem.

Em geral, considera-se que nós apresentamos um tipo predominante, que se mescla de alguma forma a um segundo elemento preponderante.

Cabe ressaltar que, como os elementos são formados por pares de opostos, alguns são inconciliáveis entre si, assim como os temperamentos que lhe correspondem.

Desta maneira, uma pessoa não poderia ser, a um só tempo, Melancólico (terra) e Sanguíneo (ar), ou Fleumático (água) e Colérico (fogo).

Em astrologia, há várias formas de pontuar as preponderâncias de elementos no mapa.

Em geral, conferem-se pesos diferentes para os luminares e os planetas, desde os pessoais até os transpessoais. Contabilizam-se, via de regra, o Ascendente e o MC também.

Em alguns formatos tradicionais pontuam-se os elementos dos signos Ascendente e Lunar e de seus regentes. Eventualmente, o de algum planeta em aspecto primordial à Lua.

Particularmente, não vejo ressonância na prática com esta pontuação e as pessoas em questão.

Entretanto, há pessoas cujos elementos enfatizados no mapa são de natureza oposta.

Cabe-nos avaliar em consulta qual elemento prepondera e qual, de fato, encontra-se em conflito com aquele.

CONCLUSÃO

Nos artigos a seguir falaremos em maior detalhe de cada um desses temperamentos: características, fraquezas, possibilidades profissionais e interações.

Em nossos dias, o conceito de Temperamento vem sendo reiteradamente atualizado, tanto na área médica quanto à orientação vocacional e organização empresarial.

Várias terminologias vêm substituindo as antigas, mas em suma mantendo a essência conceitual.

Deixo claro que, todavia, não vamos nos aprofundar em suas múltiplas utilizações por empresas e no campo profissional.

Esta sequência de artigos pretende, principalmente, apresentar suas características no campo da saúde.
Com o propósito de pesquisar sua utilização na área profissional, há hoje vasta bibliografia produzida sobre o tema.

Em conclusão, gostaria apenas de chamar a atenção para uma reflexão muito interessante, apontada pelo médico e professor Joffre Rezende, em site citado ao final deste artigo (1).

Segundo seu texto, com a descoberta da estrutura do DNA, uma surpresa: “o ressurgimento do número quatro nas quatro bases” que o integram.
Ele lembra ainda que, “as quatro bases, por sua vez, são formadas de quatro elementos químicos: carbono, oxigênio, hidrogênio e nitrogênio”.
E finaliza, citando outro professor, ao dizer que “o modelo quaternário da escola hipocrática se mostrou compatível com as recentes descobertas da biologia molecular”.
E eis que o mundo sempre gira!
Por fim, recomendo muito a leitura dos textos de história da medicina contidas no site.
Nos próximos artigos, detalharemos um pouco mais cada um dos temperamentos.

Fontes:
(1) “Dos Quatro Humores às Quatro Bases”. In: http://www.jmrezende.com.br.




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Ana Teresa Ocampo

Astróloga e médica sanitarista e homeopata no Rio de Janeiro. astro.anaocampo@gmail.com

Um comentário em “ELEMENTOS EM ASTROLOGIA MÉDICA – Parte II

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