Grandeza e Pequenez I

Grandeza e Pequenez I

Olho de minha janela o vento ágil que de repente surge na calma morna dessa tarde.

Como posso enxergar o vento?

Percebo sua presença pelo movimento das folhas de uma árvore, as flores dançando ao seu toque suave.

Estou vendo o vento.

Esse reconhecimento me desperta um forte sentimento de integração com o universo, com a natureza.

Sinto, percebo o vento acontecendo dentro de mim. O vento também percorre todas as partes, os espaços que me habitam, estranho sentimento.

Uma sensação quase inédita.

Sei que em outros momentos de minha vida vivi algo parecido, esse estado de plenitude.Entretanto, agora parece, como talvez sempre tenha parecido, ser o primeiro e único momento com essa característica.

Sentimento raro, especial, diferente de tudo que reconheço como parte de meu cotidiano.

Pode ter ocorrido inúmeras vezes, mas sempre será inédito e único.

O que sinto, se é que pode ser descrito esse estado de plenitude, é o encontro com um tipo de estado de “grandeza”, um sentimento de que a imensidão do universo está em mim, sou essa imensidão, sou o próprio infinito.

Chamarei, portanto, a esse estado do ser de “grandeza”.

Toda essa reflexão e o sentimento que a motivou partiu do simples olhar para o movimento de uma flor.

Tudo isso começou quando reconheci o vento fora de mim e o vento dentro de mim, quando senti que o universo é uma experiência que acontece dentro e fora, simultaneamente.

Creio que existe uma “natureza” em todos nós, que é grande, imensa e que se conecta o tempo todo com todo com a grandeza do universo.

Essa natureza é canal do fluxo da energia divina, que é a própria grandeza fluindo e existindo.

Nos momentos em que nos conectamos com essa “grandeza”, estamos também conectados ao próprio infinito.

Perceber e reconhecer esse nosso lado, esse nosso estado é o trabalho de uma vida.

Ligar-se a essa natureza nossa é a finalidade do caminho consciente. O caminho que é chamado pelos xamãs de “caminho do coração”.

O caminho consciente não é o caminho do pensamento puro e simples.

O ato de pensar é apenas um aspecto do processo de se atingir o estado consciente.

Refletir já é estágio do pensar.

Enfrentar sem medo o que constatamos com o pensamento e a reflexão, já é um estado mais próximo da consciência.

Compreender pelo reconhecimento do que verdadeiramente somos, fazemos, podemos, já é mais próximo ainda da consciência.

Compreender e incorporar nossas experiências da vida, chegar ao estado no qual o sofrimento e a felicidade se integrem de tal forma que, qualquer discurso, qualquer análise se torne mínimalizadora diante da plenitude da compreensão total do que é canalizado pelos sentidos.

Esse é talvez um estado muito próximo à consciência.

Saber que a consciência é feita de Luz, é Luz, nos integrarmos a essa Luz, reconhecer que nós somos feitos dessa matéria prima, a Luz, é, provavelmente, a consciência.

A Consciência nos brinda com a constatação da grandeza em nós e nos torna seres especiais.

Ser especial não é ser melhor que ninguém, é apenas ser o melhor de si mesmo, é estar conectado com o Todo.

Não tem comparação com nada, e nem cabe comparar, pois aí estaremos voltando ao plano do pensamento puro e simples, e na grandeza, o pensamento se transforma em outra coisa; no estado de consciência o pensamento é talvez um sentimento.

Nas relações entre os seres humanos, nossa grandeza identifica no “outro” a sua grandeza, e estabelece uma ligação.

São os melhores momentos de uma relação.

O amor prevalece. A compreensão é total.

Estamos integrados em um plano maior, cósmico, absoluto.

Os pensamentos se harmonizam, o respeito pela identidade do outro é um fato, a liberdade é real e pode ser vivida.

Sentimos que estamos muito perto de nossa essência e que a vida vale a pena.

Existir é um fato espiritual que faz sentido nesse momento.

Existir não é apenas uma luta sem fim, é deleite, encantamento.

Podemos nesse instante até falar de amor, até sentir a verdade do amor.

A idéia de “soul mates”, que significa “almas companheiras”, faz sentido nesses momentos de consciência e de encontro da grandeza em nós com a grandeza no outro.

Os espíritos se comunicam, além de qualquer linguagem, além de qualquer pensamento e principalmente, além de qualquer julgamento, que nesse plano não há o que julgar.

Tudo é sentimento e o comportamento acompanha esse sentimento, e, portanto, pela própria sintonia com o fluxo da energia amorosa do universo, não está sujeito a nenhum julgamento.

É pleno e perfeito como a natureza divina das coisas.

continua…




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