Grandeza e Pequenez II

Grandeza e Pequenez II

Consideremos agora a realidade aparente na qual estamos submersos.

Aquela que é construída tanto pela descrição quanto por infinitas correntes de condicionamento cultural.

A necessidade de sobrevivência e de dar sentido à existência a partir de certos acordos estabelecidos pela cultura, decerto, exigem que a gente muitas vezes se desconecte da Grandeza que existe em nós.

Bem como padrões e referenciais do que é certo e errado.

Do que é melhor e pior, enfim, as necessidades criadas para nos comprometermos com o aspecto chamado “pequenez”.

Pois essa é uma das exigências dos acordos humanos, que sejamos pequenos.

Grandeza, no plano ilusório da cultura é ter “status”.

Assim como bens, muitos bens, certificados, comprovações físicas de nosso sucesso.

Referencias para que sejamos reconhecidos e, através do reconhecimento e aprovação dos outros, encontremos sentido em nossa existência.

A necessidade de ser alguém em um mundo pequeno é o que puxa para fora e ativa nossa pequenez.

Na verdade, estou entendendo como pequenez um tipo de postura que nos afasta da realidade espiritual e nos compromete com a realidade objetiva.

O mundo no qual o verbo TER prevalece absolutamente sobre o verbo SER.

No mundo da pequenez, SOMOS sempre proporcionalmente ao que TEMOS.

Existe uma correlação ou analogia possível entre esses dois planos.

O da grandeza e o da pequenez, e os conceitos de “Tonal” e “Nagual” dos xamãs toltecas, conforme é proposto por Carlos Castaneda e D. Miguel Ruiz em seus livros.

Entre os xamãs toltecas, homens de conhecimento que descendem de antigas culturas como os Maias e os Astecas, existe uma palavra, “intento”.

Esta se refere a um procedimento do Espírito, a uma atitude no plano da subjetividade, ou da realidade espiritual.

É a ação, o gesto que conecta nosso Espírito ao poder superior.

É o gesto que nos coloca em sintonia com a emanação da energia Divina.

Que nos torna conscientes de sermos feitos de Luz, sermos manifestações da Luz.

O intento é a expressão ritualística.

A aplicação do estado de encantamento em que vivemos quando estamos em sintonia com nossa grandeza.

E a resultante é um estado de plenitude e ligação.

Cada vez mais rica com o poder que governa o universo, ou com aquilo que esses xamãs denominam infinito.

Existe outra palavra bem conhecida nossa, a “razão”, que é, analogamente ao intento.

A interface entre nossas ilusões pessoais e a ilusão coletiva, o sonho coletivo de realidade.

É a razão que nos mantém atrelados a certos acordos históricos de que uma coisa é mais importante que a outra.

Ou então, uma pessoa é melhor que a outra, proporcionalmente ao que possui materialmente ou culturalmente.

Tem a razão da força, no qual o mais forte é que tem razão.

Existe a razão do dinheiro, no qual quem tem mais é que está com a razão.

Existe a razão da retórica, no qual o que tem os melhores argumentos é que está com a razão, não importando se há sentimento por traz dessa retórica ou não.

Existe a razão da dependência, no qual o dependente seja material ou emocional, não é quem está com a razão.

Existe a razão do carrasco e da vítima, existe a razão do medo e da coragem.

Como também, existe a razão do desespero, do desejo, da saúde e da doença, da velhice, da juventude.

Sempre a razão nos conecta a pequenez de nossa natureza e ao eventual rompimento com a grandeza que existe em nós.

Ao fazer isso, a razão funciona como um instrumento de negação do poder do Espírito que somos.

Conduz à negação, muitas vezes, da própria realidade espiritual, aquela que nos liberta.

O intento nos conduz à verdade.

A razão sem coração nos conduz à ilusão.

Muitas vezes estabelecemos e elaboramos “verdades” construídas com a matéria prima da razão.

São verdades de conveniência que fazem com que nos sintamos senhores da razão, estarmos com razão.

Dentro de nossa grandeza, sintonizados com a realidade do Espírito, não precisamos ter nenhuma razão.

O Espírito está certo à priori.

O Espírito é a expressão do poder superior.

Da força que gera e que move o universo, do poder criador da Realidade.

E por isso, não precisa ter razão, não precisa de verdades construídas.

Ele é a verdade, ele é a razão em si mesmo.

A grandeza e a pequenez habitam nosso ser.

Ambas são partes do que sou.

Quanto maior minha consciência de mim mesmo, de meu papel no universo, maior a manifestação da grandeza que existe em mim.

A grandeza em mim não nega a pequenez, não nega nada na verdade.

Conectar-se à grandeza não significa romper com a realidade da vida.

Talvez esse estado represente a possibilidade de vivermos em harmonia com o todo e, dentro dessa harmonia, navegarmos suavemente no fluxo da Luz.

Dentro da Grandeza, a vida dá certo!

Claro que deixar surgir em nós a grandeza é um trabalho de formiga.

Um trabalho imenso e constante, pois a consciência quase sempre dói.

Dói muito.

Por isso é tão mais fácil aceitar a pequenez que pouco dói e faz com que nos sintamos aceitos pelo que é pequeno no mundo.

Para a pequenez a constância não é condição, pois ela já está aí, oferecida a granel pelos que desejam que tudo seja como sempre foi.




Deixe seu like e siga nossa Rede Social:
0

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *