Normose II

Normose II

O QUE A ASTROLOGIA PODE FAZER ENTÃO?

A problemática que se apresenta a partir do conceito de “normose” que foi apresentado acima é quanto à questão da objetividade e finalidade do trabalho astrológico.

Será que é possível uma astrologia que não seja conivente com a necessidade de normalidade das pessoas?

Uma astrologia que liberte, que mostre que existe o caminho do desapego e do crescimento pessoal?

Na maior parte das vezes existe um acordo tácito e comum sobre o significado dos planetas, casas, signos, configurações.

Este significado é universal.

E mesmo entre os mais eruditos estudiosos do simbolismo e os conhecimentos básicos do Almanaque Biotonico Fontoura, respeitando a distância do publico ao qual se dirigem, existem códigos essenciais comuns em sua interpretação dos símbolos astrológicos.

Existe uma sintaxe coerente e prática que pode ser decodificada em inúmeros níveis de compreensão.

E graças a essa sintaxe, Aries, por exemplo, sempre estará ligado ao impulso original, e Saturno à estrutura.

Exatamente por representarem estágios perceptíveis na coreografia da natureza.

Sendo a maioria de nós, astrólogos e estudiosos do simbolismo, pessoas comprometidas com um sistema de valores ao qual estou chamando de “normótico” (ainda emprestando a palavra e o conceito adotados por Pierre Weil e Jean Ives Leloup), ou seja, pessoas preocupadas com a manutenção de seu status, de seu conforto, de seu padrão de vida, de seus valores, pessoas comprometidas com um paradigma cultural que implica na sobrevivência dentro deste universo de valores ocidentais, de valores capitalistas, de valores ligados à posse e à manutenção do “status quo”;

Enfim, estando nós, intérpretes de símbolos, comprometidos com esta realidade “normótica”, como poderíamos propor significados aos símbolos astrológicos que permitissem aos indivíduos se libertarem desta doença?

Se libertarem da necessidade de serem vistos como normais e aceitáveis, ou, ” movidos o tempo todo pela necessidade de pertencer à tribo”, como citado pelo Professor Raul Varella sobre os conceitos do Dr. Muller.

Enfim, como a astrologia sobre a qual falamos, esta astrologia que descreve personalidades, que antecipa eventos ou momentos na vida da pessoa, pode ser um instrumento de libertação da Normose, da necessidade de ser visto e aceito como normal?

Será possível que a Astrologia nos auxilie a nos libertarmos dessa angustia tão moderna e presente?

Será possível que a Astrologia nos permita resgatarmos a conexão com a dança da natureza?

Ingressarmos no movimento de todas as coisas e fluirmos juntos, em vez de sermos constrangidos a nos estagnarmos na imutabilidade exigida aos normais e previsíveis?

PENSAR E EXPERIMENTAR

A linguagem que denominamos Astrologia, como qualquer linguagem, permite um uso criativo.

Podemos entender os símbolos dentro de uma proposta de manutenção e perpetuação de valores, justificando e endossando nossa provável normose.

Ou podemos traduzir esses símbolos como um instrumento para o crescimento e a libertação de qualquer coisa que nos oprima e represente um obstáculo para a evolução de nosso espírito.

Podemos, se ousarmos pensar e experimentar para sairmos do lugar comum, atribuir um significado Normótico aos planetas.

E também podemos fazer uma proposta de significado dentro de um novo paradigma.

A experimentação e as novas propostas dentro da linguagem astrológica permitem que nos libertemos de uma sintaxe à qual estamos praticamente escravizados.

E, assim, se inicie o processo de elaboração de uma nova sintaxe.

Aquela que é coerente com o movimento natural das coisas e não com a estabilidade e conservação pura e simples.

É importante observar que estas duas propostas não são excludentes.

Ambas são válidas, e integram-se ao indivíduo, ou alternam-se.

Mas digamos que, se quisermos nos libertar desta doença, a Normose, deveríamos nos concentrar no significado libertador do planeta.

Aquele que não nos vincula a um nível de exigência preso ao passado e à eterna conservação dos valores.

Seguem alguns exemplos de como podemos raciocinar novos paradigmas e significados para os símbolos astrológicos.

São apenas exemplos produzidos pelo livre pensar da linguagem astrológica.

Podem ser extendidos aos signos, aspectos e qualquer outra configuraçào astrológica.

Experimentem, é bom saber que a linguagem astrológica nos permite essa liberdade.

SOL

(SN) (significado normótico)- A individualidade, a Consciência em geral, a Vitalidade, o masculino.

(SNN) (Significado. Não Normótico) – A Vontade Objetiva (capacidade de criar realidades e apagar as ilusões);

A Consciência de Si Mesmo e de nosso compromisso com o universo;

A capacidade de caminhar através da luz.

O Yang

LUA

SN – O inconsciente, a família, o passado, a mãe, o feminino, a criança.

SNN – A capacidade de se relacionar com o inconsciente;

A sombra a ser confrontada e absorvida;

A família que existe Dentro de nós, ou seja, a humanidade;

O fim da ilusão do passado;

O resgate do passado e seu confronto, para não sermos mais vitimas ou escravos dele;

Os anticorpos psíquicos e a capacidade de não usa-los o tempo todo pra nos defendermos das mudanças.

O Yin

MERCÚRIO

SN – Comunicação, discurso, respiração, sistema nervoso, DNA, etc.

SNN – Androginia, alteração dos códigos de compreensão do mundo, descrição de novas realidades;

A compreensão pelo sentimento, além do uso da razão.

VÊNUS

SN – Amor, Afeto, Desejo, Atração, Relação, Posse.

SNN – Critérios do desejo;

Padrões atômicos de compatibilidade;

Critérios de escolha em todos os níveis, não apenas no afetivo;

Critérios estéticos;

Transformação do Apego em liberdade.

MARTE

SN – O corpo fisico, o gesto, a luta, a sexualidade

SNN – Atitude;

Penetração nos mistérios;

Identificação corporal com as energias da natureza;

Consciência de ser agente da natureza.

JÚPITER

SN – Expansão social, legislação, moral, viagens;

Filosofia, religião

SNN – Leis naturais;

Leis divinas;

Re-ligare;

Libertação moral.

Saturno

SN – Estrutura social, rigidez, medo, limites

SNN – Dissolução das estruturas;

Rompimento dos limites;

Base de apoio para o crescimento.

Esses são apenas alguns exemplos, bastante simples.

Podem ser ampliados, e podem ser acrescentados a eles os significados dos signos, das casas e dos aspectos.

Aquilo que foi chamado provisoriamente de significado normótico é o significado tradicional dos símbolos planetários, e também pode ser imensamente ampliado.

Nenhum significado pode ser descartado.

Isto porque se não conhecermos as traduções dos símbolos que servem de agente de acomodação e estimulo à normose, não podemos questionar esses significados.

E, dessa forma, encontrar caminhos para superá-los e sair da estagnação.

As interpretações “normóticas” dos planetas são na verdade variáveis dos significados universais dos planetas.

A conotação “não normótica” é uma proposta de ação.

De quebrar o vínculo estabilizador e justificador dos significados acomodativos atribuídos aos planetas.

O que distingue um significado do outro é que o primeiro se presta a uma descrição da “personalidade”, e a eventual compreensão de “porque eu sou assim ou assado”.

O segundo, a proposta Não Normótica, sempre sugere uma atitude, um gesto, um confronto, um enfrentamento interno do que quer que estes planetas representem em nossa vida.

E isto nos tira do imobilismo.

Da estagnação, da insistência em manter nosso nível de exigência a qualquer preço.

Segundo Jean-Ives Leloup, a palavra Infelicidade vem do aramaico, onde significa IMOBILIDADE, paralisia, etc.

E consequentemente a felicidade é sair da imobilidade, do conforto estagnado.

E obedecer as palavras de Jesus para aquele defunto que ele ressuscitou, Lázaro, se não me engano (ou será que foi o paralítico que ele curou? xi…. não lembro mais):

“Levanta e Anda”

Ou seja, sai deste conformismo, para de manter o mundo dentro desta idéia de perfeição e se movimente.

Busca dentro de si mesmo a compreensão e os mecanismos que podem nos levar a transformação e a liberdade e ao fim da doença crônica da Normose.

E então, só então, SEJA FELIZ.



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