Os doze trabalhos de Héracles – uma visão astrológica VI

Os doze trabalhos de Héracles

Héracles, nascido Alcides, havia cometido um crime horrível após ser arrebatado por Lyssa, a Raiva e matado sua esposa Mégara e seus três filhos.

O Oráculo de Delfos vaticina que ele deveria se colocar à disposição de seu primo Euristeu, rei de Micenas, por doze anos.

Neste período ele executa o que ficou conhecido como os doze trabalhos de Héracles para que pudesse se redimir de sua falha grave.

Após cumprir essas doze tarefas, desobrigou-se de servir seu parente Euristeu e se dirigiu a Calidon nas terras do rei Eneu, pai de Meleagro, conforme promessa feita quando se encontraram no Hades.

Eneu tinha uma filha encantadora chamada Dejanira e Héracles anunciou que pretendia desposá-la, porém o deus rio Aquelóo, filho de Oceano e Tetis, também havia se encantado com a moça.

Eneu não queria contrariar nenhum dos dois poderosos seres e propôs que se enfrentassem em um duelo, prometendo a mão de sua filha ao vencedor.

Aquelóo tinha o dom de se metamorfosear e transformou-se em diversos animais durante o combate com Hércules. Quando se transformou em um touro, Héracles quebrou o seu chifre, então o deus rio se rendeu e concedeu ao herói o direito de desposar a princesa.

Os doze trabalhos de Héracles
Os doze trabalhos de Héracles – wrestling with Achelous, Etienne Jeaurat (1699-1789)

Porém Aquelóo quis seu chifre de volta e o recuperou entregando a Héracles o chifre de Amaltéia, também chamado de Cornucópia, que tinha o poder de produzir comida ou bebida em abundância.

Héracles desposou Dejanira e foi feliz durante vários anos, tendo um filho com ela, Hilo. Tempos depois, em uma viagem com a família, chegou às margens do rio Eveno cujas correntezas eram muito fortes.

Ali o centauro Nesso se oferecia para atravessar as pessoas no rio montadas e m seu dorso. Nesso se ofereceu para levar Dejanira até a outra margem e depois retornaria para buscar Héracles.

Confiando em Nesso, Héracles colocou sua mulher sobre o dorso do centauro que imediatamente iniciou a perigosa travessia. Ao chegar na outra margem do rio, o centauro tentou fugir com Dejanira atendendo a um pedido de Hera, esposa de Zeus.

Ao ver o centauro em fuga com sua mulher, Héracles disparou suas flechas envenenadas com o sangue da Hidra de Lerna e feriu Nesso. Ferido e agonizante, o centauro disse a Dejanira que recolhesse um pouco de seu sangue e guardasse.

Os doze trabalhos de Héracles
Os doze trabalhos de Héracles – abduction of Deianeira by the Centaur Nessus, Louis-Jean-François Lagrenée, 1755

O intuito era para que caso algum dia Héracles se interessasse por outra mulher, ela deveria impregnar uma túnica com aquele sangue e para ele vesti-la, assim, ele voltaria para ela. Héracles atravessou o rio nadando e quando chegou à outra margem, Dejanira nada comentou sobre os conselhos do centauro Nesso.

Tempos depois, Êurito, rei da Ecália, considerado o mais hábil dos mortais no manejo do arco, desafiou a todos os guerreiros gregos, prometendo a mão de sua filha Iole a quem o vencesse.  Héracles competiu com ele e o venceu.

Porém Êurito não cumpre sua promessa e Héracles resolve cobrar sua dívida, terminando por raptar Iole, trazendo-a para sua casa. Dejanira imaginou que seu marido estava se desinteressando dela e lembrou-se das recomendações do centauro Nesso.

Então, ela deu a seu esposo uma túnica impregnada com o sangue de Nesso. Héracles a vestiu e sentiu seu corpo queimando com dores terríveis. Sentindo que ia morrer, Hércules deu seu arco e flecha para seu amigo Filoctete e pediu que ele preparasse uma pira no alto do monte Eta.

Hercules burning himself on the pyre in the presence of his friend Philoctetes, Ivan Akimovich, 1782

Após isto, determinou que Iole se casasse com seu filho Hilo e subiu cambaleando o monte Eta. Filoctete colocou-o sobre a pira e prestou todas as honras fúnebres. Aceso o fogo, e uma nuvem de fumaça cobriu a pira, enquanto trovões soavam no céu.

Quando seus companheiros buscaram os restos do herói nas cinzas da pira, nada foi encontrado, o que serviu como prova que seu corpo havia ascendido ao Olimpo.  Dejanira compreendeu o grande mal que fizera ao marido e morreu de pesar.

Os Doze Trabalhos tem seu ápice na escalada do herói até os píncaros do monte Eta, onde ele realiza o décimo terceiro, a vitória sobre Thanatos, a morte, e abre o caminho para sua Apoteose, que consiste em elevar alguém ao status de divindade.

O que somente os deuses viram foi uma nuvem dourada descer dos céus sobre o fogo da pira e dela sair um carro puxado por magníficos cavalos, no qual Héracles subiu e foi transportado ao Olimpo.

La Apoteosis de Hércules, Jean Baptiste Borkens (1611–1675)

Lá chegando, foi recebido pelos deuses e levado a presença de Zeus, que estava sentado em seu tono ao lado do da sua esposa Hera. Ali aconteceu a reconciliação entre Héracles e Hera, sendo que ela aceita ser sua mãe divina.

Em seguida, Hera, a deusa protetora dos casamentos, oferece sua filha Hebe, a deusa da juventude a Héracles, que prontamente a aceita. É celebrado então o casamento que nosso herói se fez merecedor, por sua bravura, sua determinação e seu sofrimento.

The marriage of Hercules and Hebe, Louis Cheron (1660–1713)

A respeito disto canta o poeta Homero:

“Ele agora é um deus, suas desgraças e trabalhos acabaram, vive onde vivem os outros habitantes do Olimpo, imortal e eterno, e possui Hebe, filha de Zeus e Hera.”

O decimo terceiro trabalho pode ser considerado como o ponto de intersecção dos doze signos, o centro do círculo, que é acima de tudo a Consciência do ser humano em descobrir o caminho da evolução e atingir seu objetivo.

Douglas Marnei

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