É possível acomodar tudo!

É possível acomodar tudo!

Essa manhã eu estava fazendo minha prática de meditação e ouvi um som que me remeteu imediatamente a asas de uma barata se debatendo contra a parede. Gelei. Já imaginei a barata voando pra cima de mim enquanto eu estivesse ali parada, sentada. Quase podia sentir as patinhas dela caminhando sobre mim. Fiquei parada por alguns segundos e então me levantei e fui procurar um pote com papel pra poder pegá-la e colocá-la pra fora, pela janela. Já fui imaginando o trabalho que ia dar, eu correndo atrás da barata com um pote e o coração querendo sair pela boca a cada salto que ela desse e ela, morrendo de medo, correndo desesperada de mim, com medo de eu matá-la.

Encontrei o pote. Identifiquei que o som vinha de trás de um poltrona e fui devagar, tentando não a assustar. Quando finalmente consegui encarar a culpada por perturbar minha manhã serena de meditação, dei de cara com uma borboleta amarela enorme e linda. Ri de mim mesma, a peguei na mão e libertei. Era só uma borboleta.

Quando nos sentamos pra meditar, por um bom tempo vai ser inevitável a aspiração de que seja um momento calmo, sereno e “ficar zen”. Desejamos sentir logo de início estabilidade, conforto e sensações agradáveis. É um pouco chocante quando isso não acontece e esse é, inclusive, um dos porquês de muitos desistirem de praticar. Toda expectativa cai por terra quando paramos e observamos por alguns instantes a mente inquieta, o corpo dolorido, e as sensações de ansiedade, raiva, medo ou torpor. Se isso acontecer com você, não se desespere.

A prática é sentar e observar o que quer que surja. Conteúdos considerados negativos e desconfortáveis vão surgir, e isso faz parte. Se querermos manifestar autonomia emocional com relação a nossas aflições precisamos olhar para elas, identificá-las, fazer amizade. Quando essa intimidade consigo mesmo vai aumentando, inclusive e principalmente com o que consideramos feio e negativo, uma outra qualidade de resposta começa a surgir. Começamos a perceber que somos maiores do que imaginávamos. Percebemos que é possível acomodar o que surgir, e é desse reconhecimento que surge a serenidade e a paz.

Por isso, naqueles dias que você se sentar pra meditar e conteúdos desagradáveis começarem a surgir, não desista! Se acolha e olhe de novo. Respira fundo e olhe de novo, e de novo. Você pode se surpreender quando perceber que na verdade aquilo que você pensava ser uma barata, é na verdade uma linda e transmutada borboleta. E se continuar sendo barata também não tem problema. Se olhar de perto, com abertura e compaixão você verá que também existe beleza ali…

 

Créditos imagem: Jordan Grace




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Ligia Linhares

Geminiana com Lua em Libra, paulistana vivendo em Floripa. Meu hobbie? Explorar o mundo interno. Me encontrei com a meditação em 2014 e não larguei mais! Tenho praticado e dividido posturas e técnicas que facilitam e conduzem ao calmo repousar e permanecer. Me encontre no Instagram @ligiarlinhares ou por e-mail ligiarlinhares@gmail.com

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