O mapa astrológico e o ouro alquímico

O mapa astrológico e o ouro alquímico

Jung foi quem mais se debruçou sobre os tratados alquímicos, e graças a ele, temos mais acesso à interpretação dos tratados herméticos dos velhos alquimistas.

Ele percebeu que as imagens alquímicas representavam um mapa do nosso desenvolvimento psicológico.

Contudo, ser uma alquimista não era para qualquer um. Era necessário uma vida de buscas e de dedicação, além da solidão para que chegasse ao ouro alquímico.

E o que era o ouro alquímico? Um mineral? um metal? aquilo que costumamos denominar de ouro e com o qual fazemos jóias?

Absolutamente, esse ouro para que se chegasse a ele, era preciso haver uma conquista interior. Ele era a resultante da fusão do físico com o psíquico.

Portanto, os antigos alquimistas salientavam o fato de que o trabalho alquímico era uma espécie de aperfeiçoamento da natureza

O velho alquimista se debruçava sobre seu forno, seu cadinho, suas retortas,  seu alambique, acompanhado de sua solidão. Projetando portanto nesse processo, seu próprio inconsciente.

Decerto, existe uma pergunta a ser feita e respondida: Qual a matéria prima que deveria passar por esses processos?

A resposta é: qualquer uma. Eles costumavam chamá-la de matéria vil. Qualquer coisa sem valor e que precisasse ser transformado, assim como aprimorado.

Quando eles diziam isso, referiam-se aos aspectos inferiores da nossa psique. Aspectos tanto de nossa sombra quanto de nossas projeções. Nossos conflitos interiores.

Essa prima matéria, muitas vezes eles associavam às fezes, aos excrementos. Qualquer representação de nossa sombra, daquilo que não damos valor.

Jung mesmo dizia que: ¨a real natureza da matéria era desconhecida do alquimista. Ele tinha meros indícios a respeito. Ao tentar explorá-la,  projetou o inconsciente sobre as trevas da matéria, a fim de iluminá-la¨

Ele segue, dizendo: ¨Enquanto fazia suas experiências químicas, o operador passava por determinadas experiências psíquicas que lhe pareciam ser o comportamento particular do processo químico¨

A questão não era exatamente essa, ele apenas experimentava sua projeção como sendo uma propriedade da matéria.

Um mapa astrológico com aspectos mais desafiadores e conflituosos seguramente seria uma excelente prima matéria.

De fato, os alquimistas trabalhavam com os planetas. Os metais sujeitos à transformação têm correspondência com os planetas. Assim sendo, eram os planetas que estavam passando por esse processo alquímico de transformação.

Pela lei das correspondências, amplamente entendida pelos alquimistas, os planetas no céu correspondiam aos metais na terra

Os aspectos desafiadores de nosso mapa astrológico, servem efetivamente para esse processo. São eles que precisam ser alquimizados, transformados, amalgamados, para que se transformem no ouro.

A todo esse processo, eles davam o nome de Opus, que quer significar obra. No final da Opus, o que poderia ser encontrado era o ouro alquímico, ao qual eles davam também o nome de Lápis.

A Opus além de ser um trabalho bastante solitário, tinha a conotação de ser um trabalho sagrado.

Não era uma tarefa fácil assim como não é fácil encararmos nossas sombras num processo terapêutico, ou ainda, nossas projeções. Percebermos aquilo que renegamos em nós mesmos acarreta dor. Entretanto, só com a integração da sombra e com a retirada e assimilação de nossas projeções, poderemos almejar nossa totalidade.

Todo o nosso mapa natal é a prima matéria, o material bruto que precisa ser burilado, aprimorado, aperfeiçoado.

É preciso entender nosso mapa astrológico em profundidade, e trabalhar seus aspectos conflituosos nos momentos mais propícios.  Orientados pelos trânsitos, progressões e direções, estaremos avançando em nosso processo de individuação. É preciso saber a hora de abanar o fogo e a hora de diminuir sua intensidade.

E o que vamos encontrar finalmente?

Sem dúvida, a nós mesmos, autênticos, equilibrados e sendo o ser único que de fato somos.

Nisso consiste a astroterapia.

Nós somos o ouro alquímico ou o Lápis. Através desse esforço consciente,  nossa natureza apontada em nossa carta natal,  poderá ser aprimorada e sermos libertos dos conflitos ali constelados.




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Claudia Araujo

Aquário com Gêmeos, sou muitas e uma só. Por amar criar com as mãos, sou designer de biojóias e mantenho o site terrabrasillis.com, assim como pinto aquarelas e outras ¨manualidades¨. Por não me entender sem a busca do mundo interno do outro, sou astróloga com 4 anos e meio de formação em psicologia analítica sob a supervisão de José Raimundo Gomes no CBPJ – ISER e já mantive por anos o site Meio do Céu. Nessa nova etapa mantenho o site grupomeiodoceu.com. Dou consultas astrológicas e promovo grupos de estudo de Jung e Astrologia, presenciais e online. São várias vidas vividas numa única existência, mas minha verdadeira história começa aos 36 anos, e o que vivi antes ou minha formação acadêmica anterior, já nem lembro, foi de outra Claudia que se encerrou em 1988. Só sei que uso cotidianamente aquilo em que me tornei, e busco sempre não passar de raspão pelo mapa astrológico do outro. Mergulhar é preciso, e ajudar o outro a se transformar, algo imprescindível. Só o verdadeiro autoconhecimento pode gerar transformação. Não existe mágica, e essa autotransformação não ocorre via profissional, mas apenas através do real interesse do cliente em buscar reconhecer como se manifesta em sua vida cotidiana e qual seu potencial para a transformação. Todos somos mais do que aquilo que vivenciamos. A busca deve passar sempre pelo reconhecimento daquele eu desconhecido que em nós mesmos habita. A Astrologia é um facilitador nessa busca porque nela estão contidos tanto nossos aspectos luz quanto sombra. Ela resolve nossos problemas? A resposta é não. Ela apenas orienta no sentido do reconhecimento de nossa totalidade. A busca é do cliente. A leitura é do astrólogo, mas só o cliente poderá encontrar o caminho de sua totalidade e crescimento responsável. websites : www.terrabrasillis.com e www.grupomeiodoceu.com Fale com Claudia direto no Whatsapp

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