Feminino Integral II – O feminino Mãe

Feminino Integral II – O feminino Mãe

Devido ao mês de maio insiro esse tema agora em nossa sequência de textos sobre o feminino. Uma reflexão sobre o que realmente compreende a energia da mãe. A qual vai para muito além de um papel da mulher na família e na sociedade.

A mãe é uma energia universal ligada ao princípio de tudo e maior que todos nós. Ela está dentro de toda mulher e pode ser captada por qualquer pessoa. Faz parte da pluralidade de forças femininas. É a energia da criação, da nutrição, do acalento e do cuidado incluso o autocuidado.

Portanto, a ideia é “viver a mãe na Mãe”.

O que significa exercer o papel maternal a função de mãe em conexão com o arquétipo materno. Ou seja, cuidar do filho se amando e se cuidando também.

A força da mãe enquanto arquétipo ou energia está até naquela boa amiga ou bom amigo que diz: “Dorme aqui que está tarde”, “Você não quer um casaco?”, “Também trouxe um lanche para ti”.

Sim, por incrível que pareça a Mãe enquanto energia universal habita a mente de todos nós. Está presente no inconsciente e por toda a parte, nos amparando.

Ser mãe é uma arte.

É nítido o quanto as mulheres mamães tem que se esforçar e criar alternativas . E se equilibrando entre vários papéis  também perseverar na educação e cuidados com os filhos.

Muitas vezes precisam contar com ajuda de pessoas confiáveis, vovós, vovôs, amigos e creches. Diante de tantos desafios qualquer “santa ajuda” pode ser um bálsamo! Sendo assim, a dica para cada mamãe arcar com este trabalho heroico é também aceitar suas imperfeições e limitações pessoais. E assim não perder a força necessária ao processo…

E quem nunca viu um papai maternal? Não é para qualquer um ser um “pãe” ou correspondente ao novo conceito de “paternagem” .Ou seja, o exercício da paternidade com a função psíquica feminina mais integrada em si mesmo. Isso não tem nada a ver com ser “mole” na educação.

Homens também são educadores e educação também envolve muitos “não”, leis e limites. Inclusive especial atenção para o desenvolvimento da independência. Não há quase nada que esses pais não possam realizar.

Pais dispostos a aprender: dividem tarefas, cozinham, alimentam, colocam para dormir, são até enfermeiros quando necessário. Enfim, cada um do seu jeito e quebrando paradigmas corajosamente.

Eu poderia dizer que gastam, mas prefiro dizer que ganham muito tempo com as crianças prevenindo dissabores futuros com seus filhos… Uma vez que o pai é fundamental na estrutura da personalidade de uma criança.

E por isso esses pais dedicados são também emocionalmente inteligentes.

Temos aquelas mulheres genitoras que por vários motivos se encontram tão distantes do feminino a ponto de evitar, não por escolha, mas inconscientemente a maternidade. Longe deste feminino integral plural que inclui a “mãe”.

Então, devido a esta desconexão acabam “empurrando” essa energia para dentro de si que se torna sombria e irá se apresentar através de variados sintomas físicos e comportamentais.

São as que desenvolveram doenças do aparelho feminino e também as que rejeitam suas crias, despejando esse aspecto sombrio em seus próprios filhos, indo de mal tratos a atrocidades. E com todas as consequências para sua saúde mental e física por negar esse aspecto em sua própria natureza. Esta energia precisará ser colocada na vida para que se reequilibre. E sua cura envolve o tratamento das dores conscientes ou inconscientes relacionadas a sua própria genitora…

Há também aquelas mamães que usam sua maternidade como uma espécie de “troféu”.

Superiorizam a si e a seus filhos ou comparam-se com outras mulheres que não tem filhos gerados como se fossem de uma “casta superior”. E frequentemente invejam em secreto a liberdade que estas outras supostamente têm.

Neste exemplo se configuram as mulheres mães masculinizadas por apresentarem um forte aspecto masculino com o comportamento competitivo.

Muitas mães anularam sua personalidade, bem como o que lhes dava prazer e alegria antes da maternidade, assim como demais projetos de vida. Tornaram-se somente mães ou “mães monobloco”. São as mães que sobrecarregam os filhos com excesso de sua energia que deveria estar sendo empreendida no mundo, atendendo a realizações pessoais.

Estas mães tendem a ser mártires permanentes e desconhecem que maternidade é servir com amor próprio. E que todo servir deve ser com amor a si, amor ao outro, alegria e boa vontade.

Pode sim haver uma dose de sacrifício no servir.

Mas o mesmo deve ser totalmente consciente e previamente avaliado porque cada ser humano tem um limite para fardos. E, dessa forma, para que estejamos saudáveis física e emocionalmente, todos devemos estar conscientes de nossos limites.

Mães inconscientes sobre seus limites frequentemente sufocam seus rebentos com excesso de zelo, fazendo tarefas que os pequenos, médios ou grandes já poderiam fazer sozinhos. E desta forma se compensam com o comportamento vitimista, anulando seu potencial e se tornando dependentes da atenção alheia através da comiseração dos filhos.

Assim, estabelecem inconscientemente um pacto macabro de fidelidade perene com filhos que tendem a se sentir culpados pelos sofrimentos reclamado. A menos que os mesmos encontrem um bom tratamento psicológico e se libertem no futuro.

É claro que todos esses aspectos apresentam variadas gradações. Mas é importante ressaltar que a energia materna é tão importante que inspira o amor e o cuidado que iremos aplicar a nós mesmos.

Sendo assim, a ausência ou falta de amor materno ou de quem tenha sido responsável pela maternagem da criança gera sentimentos de insegurança, baixa autoestima, autonegligência ou autoabandono.

Há certamente um bom número de desequilíbrios maternos que afetam as crianças e seu desenvolvimento.

A intenção aqui não é culpar as mamães.

Até porque essas genitoras jamais poderiam ser eficientes na tarefa de entregar a outro ser um afeto que não possuem porque não tiveram o privilégio de receber.

Sendo um transtorno leve ou grave toda mãe é um ser humano passível de sofrer e ter sua expressão prejudicada pelo desamor…

A boa notícia é que para tudo há uma saída quando se toma uma decisão por si mesmo. Para isso existem bons psicoterapeutas aos quais recorrer.

Também temos aquelas mães fundamentais e tão importantes quanto às mamães genitoras! As que todos nós sem exceção devemos gratidão sobremaneira…

São aquelas mamães adotantes das nossas crianças deixadas por suas genitoras, por exemplo. Com relação a essas nem tenho palavras para descrever a grandiosidade e a especialidade de sua missão. Só sendo este coração. Só vivendo e convivendo para saber…

Outras são também cuidadoras dedicadas dos sobrinhos, a boas madrinhas, as boas madrastas, as “tivós”. Aqui estão incluídas as mamães de pets ou de animais “jogados fora” e tantas outras.

Estas mamães especiais não raro fundam ou contribuem com entidades de defesa e proteção de crianças e animais. Seres que sofrem devido à insensibilidade humana. Vidas ricas, recheadas de realizações e serviço à humanidade.

Muitas das que exercem esta força do feminino sequer se imaginaram como genitoras.

E para outras, o fato de gerar um filho no ventre simplesmente não ocorreu e está tudo ótimo.

Nesse caso, um grave equívoco é imaginar que estas não são mulheres plenas e felizes. Aliás, quando se observa assim falta algo apenas na mente do observador ou observadora. Observadores que projetam nelas o sentimento do mundo restrito de suas próprias frustrações pessoais.

E finalmente, a mãe terra, céu e mar. A nossa Mãe Natureza. Ela é materializada pelo lindo Planeta Azul que nos sustenta. Somos seus filhos conectados por “fios invisíveis”.

Por isso, agredir uns aos outros, a nós mesmos ou a outros seres sencientes é também agredir a mãe cujo ventre habitamos.

Esta maravilhosa força é também chamada “Grande Mãe Terra” ou “Gaia”, segundo a mitologia grega, a mãe primordial. Através dela existimos e somos nutridos. Força que cuida, recebe nossos dejetos e agressões, transforma, limpa, frutifica e embeleza. Sempre presente nos recebe, nos acolhe e até nos recolhe… Enfim, um aspecto divino fundamental.

Esta foi apenas uma tentativa de descrever algumas expressões da Mãe, desta energia tão marcante para todos e em todos nós. E também melhorar a compreensão não só de sua amplitude, mas de como e melhor ou mais saudavelmente a exercer.

De qualquer forma, e em qualquer lugar é perceptível esta energia ou esse arquétipo poderoso.

É preciso apenas ter olhos para ver ou para fechar. E sentir…

Gratidão a todas as mamães!




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Fernanda Faour

Psicóloga Clínica Especializada em Psicologia Junguiana-IBMR/ Instituto Junguiano, Especializada em Psicologia Jurídica/UERJ, Consteladora Familiar Sistêmica e terapeuta floral. Especializada na função psíquica do Feminino (C.G.Jung), questões de gênero, transtornos alimentares e dependências da modernidade. Incentivadora de terapias integrativas. Experiência na coordenação de grupos de mulheres. Palestrante, psicoterapeuta há 22 anos. Mãe da Sofia e apaixonada por autoconhecimento.. Tel. -Whatsapp/ telegram (21) 98294-0259 . E-mail : f.faour@gmail.com Instagram: https://www.instagram.com/psi.fernandafaour/

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