A CRIANÇA INTERIOR e SUA FORMAÇÃO I

A CRIANÇA INTERIOR e SUA FORMAÇÃO I

As percepções descritas abaixo, partem de uma reflexão objetiva sobre as reações humanas, e quais suas possíveis referencias internas, mapeadas pelo horóscopo, e analisadas dentro de uma ótica definida pela condição humana experimentada até este momento da vida.

A manutenção dos padrões da realidade é simbolizada por SATURNO, ou seja, o último dos planetas visíveis representa os limites do homem,

até onde ele pode chegar, até onde ele pode enxergar, e parece que só podemos chegar, pelo menos nos ensinaram, até onde podemos enxergar.

O planeta que vem logo a seguir, URANO, é o primeiro planeta do mundo invisível, e representa a liberdade,

justamente por ser o primeiro passo após a superação da estrutura, dos limites simbolizados por SATURNO.

A estrutura social possui vários instrumentos para se alimentar e manter todos coerentes com os significados de SATURNO.

Em alguns casos a simples repressão, o medo de perder o que temos, o medo da mudança, o medo de ser livre, as promessas de que se fizermos o certo, seremos de alguma forma recompensados, ao menos pela aceitação de nossa personalidade pelo grupo.

O castigo é a rejeição, o isolamento, a acusação de representarmos alguma ameaça.

Superar os limites de SATURNO não é, portanto, tão simples. O preço é muitas vezes assustador.

Se valer a pena ou não conquistar a liberdade, isto depende de nossa disposição de nos confrontarmos com a estrutura como ela é, ou de nos tornarmos independentes dela, rompendo com o significado parcial de SATURNO que nos é imposto.

É conveniente lembrarmos que, superar os limites de SATURNO, atingir o que poderíamos chamar de plano de URANO, pode significar um forte isolamento social, uma rejeição por parte das pessoas integradas ao sistema de valores vigente. Este é o preço.

A pressão para mantermos os padrões culturais é imensa.

Basta olharmos para o lado, basta fazermos um gesto diferente, manifestarmos qualquer intenção de transgredir os padrões para que nossos amigos, as pessoas que amamos, sintam-se ameaçados, comecem a interpretar nossa atitude como um desequilíbrio ou um mal estar passageiro.

Basta mostrarmos que existem outras alternativas, que poderíamos agir de forma diferente, que poderíamos seguir nossos instintos, inclusive sem agredir ninguém para que o julgamento social comece a criar situações constrangedoras em nossa vida.

Mesmo pessoas interessantes, aparentemente liberadas, modernas, reagem até agressivamente quando nos recusamos a obedecer a certas regras que nem sempre parecem melhorar nossa vida ou nos fazer mais felizes.

Observamos que o movimento que nos condiciona, que cria o temor da mudança, começou quando nossa criança interior foi acuada, amarrada, reprimida até ficar encolhida e assustada dentro de nosso ser.

Apenas a criança aceita o novo. Os adultos em geral não estão dispostos a mudar nada em suas vidas.

Eles querem conservar o que tem, manter os padrões de segurança aos quais estão acostumados. A criança aceita o novo, a criança aceita crescer, e para impedir que as pessoas cresçam e se libertem, é preciso acuar a criança, é necessário fazer com que as pessoas rejeitem e temam a criança que existe dentro de nós.

Basta ver como ficamos ofendidos quando somos “xingados” de criança, infantil, etc. Talvez mais do que com qualquer outra ofensa.

Quem representa a criança no horóscopo é a LUA. O signo, a casa e os aspectos envolvendo este planeta representam as condições nas quais percebemos esta criança.

É importante observar que SATURNO rege um signo oposto ao regido pela LUA, e isto representa uma oposição fundamental nos significados destes dois símbolos.

Representa também a complementaridade própria das aposições.

Oposição não é conflito, é complementaridade, é uma condição de busca constante.

Quando uma oposição é resolvida, vive-se um estado de plenitude, como por exemplo, quando resolvemos a oposição fundamental entre as casas I e VII e conquistamos nossa totalidade.

O dispositor (regente do signo onde ela se encontra) indica os padrões de imposição e controle sobre a LUA, facilmente interpretados pela casa onde ele se encontra.

O dispositor de um planeta dirige as indicações deste planeta, independente de formarem aspecto.

Como o diretor de uma peça de teatro, que determina os limites e as variações da performance de um ator, mesmo que não esteja presente em todas as apresentações deste ator.

Vamos dar alguns exemplos da ação do dispositor sobre a LUA, vista apenas sob o ponto de vista da criança interior, pois sabemos dos inúmeros significados possíveis para este astro.

O regente do signo lunar será visto aqui como um orientador, um educador, uma entidade que determina os limites e as regras que a criança deve obedecer.

Imaginem o que é que nos impede de tomarmos certas atitudes, o que nos impede de “chutarmos o pau da barraca” como muitas vezes nosso instinto solicita, qual o argumento, a desculpa que usamos para justificar o ‘não agir’, quais os elementos de nossa formação que justificam a acomodação e o medo de crescer, qual a força em nós que diz que é sempre melhor ficar como está e finalmente, a quem ou ao que pensamos estar agradando ou obedecendo quando nos acomodamos e desistimos de mudar o mundo.

De um modo geral, todos os mecanismos de contenção da criança interior a apresentam como alguém que atrapalha, alguém muito pouco confiável.

Na verdade, é importante para a estrutura social (SAT) reprimir a ameaça representada pela criança que nos habita (LUA), pois se ela se libertar de suas amarras e questionar a necessidade de conter sempre os instintos, obedecer sempre as regras, agradar sempre a seus “superiores”, ela (a criança) passa a representar um problema social.

Aliás, qualquer um que questione, que não aceite passivamente as regras impostas (mesmo que absurdas), é visto como um problema, um rebelde a ser contido, uma ameaça ao estado normal das coisas.

A sociedade elegeu seus representantes, os pais e educadores em geral.

A eles compete a tarefa de mantenedores de SAT, e sua tarefa é mostrar que só é bem sucedido neste mundo quem obedece as regras passivamente, sem questiona-las.

Podemos observar que é comum pais infelizes exigirem de seus filhos que sigam o padrão visivelmente insatisfatório de suas existências. Em nome de que? Em nome de quem?

Podemos sugerir também o surgimento de alguns complexos específicos relativos à determinação que o dispositor da LUA representa. Estes complexos são sínteses da ideia desta relação de dependência relativamente passiva que a LUA tem em relação a seu regente.

continua




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