Art Mater Primordial e Lilith III

Art Mater Primordial e Lilith III

No entanto, Adão abandonou-a, preferindo Eva, que havia sido feita da sua carne e do seu sangue.

«Preferiu-se» a si mesmo, em suma!

Esta última tradição foi posta em poema pelo marquês de Belloy em 1855.

Embora, com algumas variantes, pois faz nascer Lilith e Eva de uma costela de Adão.

Platão, em sua obra Banquete, conta uma outra tradição também muito antiga do homem criado andrógino.

Alguns descrevem Lilith como um critério de pureza, de ideal, de castidade e de beleza inacessível à tentação.

O Demônio, representado pela Serpente, nada pode contra ela.

O Mago Josefo afirma que, no tempo da criação, a Serpente tinha o dom da palavra.

E mesmo amaldiçoada guardou o segredo da regeneração com sua troca de pele.

Segundo Paracelso, conserva ainda atualmente, por especial privilégio de Deus, o conhecimento dos maiores mistérios.

Eva ou Héva, no poema do Senhor de Belloy, é a feiticeira que encanta, mal nasce.

Por essa razão é que Adão abandonou o amor de Lilith e se dedicou a Héva, a Sensual.

O enigma da primeira mulher da criação, e de um Adão hermafrodita, que «prefere» a si próprio ao escolher uma Eva feita da sua carne e do seu sangue, sugere uma interessante tese sobre a anterioridade da criação humana.

Trata‑se, de fato, do verdadeiro problema da Mater.

Estas tradições, lendas e superstições, referindo-se a Lilith como a primeira criatura terrestre, rival de Eva, demônio, Lua Negra ou astro sombrio, provam que, desde a mais alta antigüidade, os nossos antepassados pensaram que o ser humano primordial podia ser uma mulher: a Mater.

Esta hipótese, se junta à dos biólogos do princípio do século.

Que daria, portanto, uma anterioridade de existência à mulher.

É o que tenderia a fazer pensar, em favor do homem, a atrofia do canal de Muller, que tinha um papel essencial num tipo humano mais antigo.

Neste sentido, este primeiro tipo humano possuidor, quer do canal de Muller, quer do de Wolf (trompas, útero, vagina, canal urinário), era uma mulher.

Seja como for, essa criatura humana número um era a Mater, mãe e pai dos nossos mais longínquos antepassados, «Mãe das Mães», como diziam os Egípcios, o que explicaria o culto universal que lhe foi consagrado.

O que, do mesmo modo, daria um sentido profundo às crenças antigas, às divindades andróginas da Grécia e da Assiro- Babilônia, e a essa Lilith maravilhosa e a perversa que nos legou a sua inteligência, a sua astúcia e a sua curiosidade demoníaca.

Lembrando que se levarmos em conta que a tradição bíblica está correta e Caim, o suposto mau, que foi amaldiçoado por Deus com uma marca na testa, matou Abel; então somos descendentes de Caim ? E aí.

Flavio Lins




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