Buddha por Claudio Miklos hoje Monge Komio

Buddha por Claudio Miklos>> Primeiramente, temos que procurar o espírito do Buddhismo, tanto sua essência, quanto sua realidade original.
Suguramente, Buddha, na realidade se chama Siddharta Gautama, o Buddha. Contudo, não falo de um ser divino, ou de um sábio intocável; menos ainda, falo da figura envolta em tantos mitos sagrados do Mahayana.
Outrossim, falo de um ser humano que, por força de seu próprio esforço de auto-regulação, logrou superar as terríveis dificuldades de compreensão correta do Caminho.
Sobretudo, de um Caminho que leva ao equilíbrio e à simples felicidade interior.

Gautama nasceu em data ignorada, em torno do século VI a.C

Primeiramente,nasceu em Kapilavastu, norte da Índia, no sopé do Himalaia. Era filho de Sudhodhana, porquanto, um nobre e pertencente à assembléia que governava o pequeno clã dos Shakyas. Seu pai era tributário do reino vizinho de Kosala.

Sudhodhana tinha Maya, sua mãe por esposa

Gautama Buddha cresceu em meio à classe que pertencia, tomou como esposa a jovem Yasodhara e teve um filho de nome Rahula.

Embora devesse ser o herdeiro de seu pai, aos 29 anos, todavia, após uma experiência muito forte sobre as três mais difíceis realidades da vida física, quais sejam, a Doença, a Velhice e a Morte, abandonou seu status e condição e partiu em busca de uma resposta às suas dúvidas.
Para tanto, tornou-se discípulo dos ascetas Alara Kalama e Uddhaka Ramaputra, e transformou-se num yogue.

A Partida de Buddha

Depois, partiu deste caminho e tornou-se por seis anos, segundo a tradição, um asceta eremita junto com outros cinco companheiros.
Em seguida, após muitas mortificações e sofrimentos por privações na pretensão de superar os limites da carne, percebeu em determinado momento que tais exageros não eram, afinal, necessários.

A partir deste instante, compreendeu que o meio mais razoável para a superação dos limites da carne é o que chamou de “Caminho do Meio”.
Em síntese, O Caminho do Meio consistia numa atitude de equilíbrio entre a prática espiritual e a vida mundana, as necessidades do corpo.

Resolveu buscar a resposta através do Dhyana, a profunda atitude introspectiva da Meditação.

Portanto, à sombra de uma árvore na manhã de um certo dia, no bosque de Bodhigaya, iniciou uma prática de meditação profunda. Assim sendo, se propôs a permanecer em Dhyana até atingir a completa Iluminação.
Ainda segundo a tradição, na tarde deste mesmo dia Gautama supreendentemente, atingiu o Completo Entendimento, e tornou-se o Buddha.
A partir deste momento sua vida foi dedicada a transmitir o sentido do que experimentou, e demonstrar que qualquer um pode atingir o mesmo objetivo. Formou ao redor de si um numeroso grupo de praticantes, homens e mulheres, e continuou a ensinar até morrer em torno dos 80 anos.

A Argumentação Budista

Gautama Buddha desenvolveu um sistema simples de argumentação, sob o qual ele baseava suas considerações mais fundamentais. Analisava tanto a natureza do sofrimento humano como as possibilidades que o Homem tem de superar estes limites físicos.

Buddha propunha uma análise dos motivos que levam um ser consciente a se sentir tão incapaz de lidar com a vida sem angústias e neuroses.
No aspecto psicológico humano ele afirmava que, a despeito do que se pode imaginar, é possível se viver livre de angústias e neuroses.

No aspecto místico e espiritual ele afirmava ainda mais, que em um certo ponto o desenvolvimento e a consolidação do equilíbrio mental pode levar o ser humano ao ápice de sua consciência. No ápice da consciência seria capaz de atingir o que na tradição oriental chama-se Completa Iluminação.

A Completa Iluminação é um estado de ser tão liberto de angústias que é considerado o limite do que um espírito humano pode chegar em termos de auto-organização e sabedoria

Seguindo ainda a argumentação mística espiritual oriental, um ser que chega neste ponto livra-se do Samsara, a Roda de nascimentos e mortes ilusórias e irregulares. Ele atinge o Nirvana, o Absoluto.

Entretanto Buddha não “promete” nada a ninguém. Buddha não faz argumentações baseadas em fé cega, ou no oferecimento de uma vida melhor adquirida fácil e mecanicamente por todos os que, ignorando suas próprias responsabilidades, apeguem-se às suas palavras.

Propõe uma definição de algo que ele mesmo experimentou, e conclama a todos os seres humanos a se esforçarem nesta mesma busca, trilhando o mesmo caminho, mas com seus próprios pés. Não é um vendedor de produto pré-fabricado; ele apenas aponta um caminho, e o quanto cada um de nós vai percorrer deste caminho, depende de nossa capacidade.

O extremo brilhantismo da argumentação de Buddha, em minha opinião, se evidencia ao observarmos dois pontos

1. Primeiro, que esta argumentação se baseia numa percepção do quanto o cotidiano condicionado e viciante que o ser humano criou para si é algo artificial e extremamente inadequado. Esse cotidiano já está tão arraigado no padrão social humano que a humanidade sente-se incapaz de livrar-se dele, embora invariavelmente lamente estar “presa” a ele

2. segundo, que toda solução para tal impasse está na consciência, no exercício do discernimento, na depuração de nossa psicologia, de nosso modo de ver o mundo.

Penso que Buddha foi um pioneiro mesmo entre os grandes nomes da espiritualidade humana, um surpreendente “psicólogo” e “terapeuta”, e, muito mais do que isso, um Sábio cuja maior contribuição à humanidade foi ter reforçado ainda mais a compreensão de que o caminho para a Felicidade vem da LIBERDADE religiosa, e não da prisão religiosa.

A liberdade que surge com a responsabilidade de assumirmos EM NÓS MESMOS a consciência religiosa, a ética auto-reguladora. Como diz um mestre Zen atual, “Buddha não era buddhista”. Buddha era, antes de mais nada, livre.

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material originário do antigo site Meio do Céu - Claudia Araujo, hoje denominado Grupo Meio do Céu - Claudia Araujo e composto por diversos novos colunistas. Essa é uma maneira de preservar o material do antigo site, assim como homenagear aqueles que não mais escrevem no site e/ou não mais estão entre nós nesse plano da existência. Claudia Araujo

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