Conto sufi – As cidades parte I

Conto sufi – As cidades parte I

Chegou às minhas mãos uma história sufi que tem uma antiguidade de aproximadamente 1500 anos, é um sonho muito revelador de um velho sheik Nashqbandi que gostaria de compartilhar com vocês.

Enquanto eu errava por esse mundo temporal, Alá me conduziu a um caminho reto.

Caminhando por ele, num estado intermediário entre o devaneio e a vigília, como se estivesse num sonho, cheguei à uma cidade que se encontrava em total escuridão.

Ela era tão ampla, que eu não conseguia ver ou conceber seus limites.

Esta cidade continha tudo o que já fora criado.

Haviam pessoas de todas as nações e raças.

As ruas encontravam-se tão apinhadas, que não se podia caminhar por elas; tão ruidoso era tudo, que dificilmente se poderia escutar a si mesmo, ou aos outros.

Todas as feias ações de todas as criaturas, todos os pecados conhecidos ou desconhecidos para mim, encontravam-se ao meu redor.

Com temor e assombro, contemplei a estranha cena.

Perdida na distância, no centro aparente dessa cidade, havia ainda uma outra cidade, com muros altos e enorme em seu tamanho.

O que observei ao meu redor, me levou a pensar que nunca, desde o começo dos tempos, tinha havido um raio de luz proveniente do sol da verdade, que tivesse caído sobre essa cidade.

Não apenas o céu, mas todos os caminhos e casas dessa cidade estavam nas trevas mais absolutas.

Seus habitantes, eram como morcegos, possuíam mentes e corações tão escuros como a noite.

Suas naturezas e suas condutas, eram como as dos cães selvagens.

Rosnando e brigando uns com os outros por um bocado de comida, obcecados pela luxúria e pela ira, se matavam e se estraçalhavam uns aos outros.

Seus únicos prazeres eram as bebidas tóxicas e o sexo indiscriminado e sem pudor, desavergonhado, sem distinção entre masculino e feminino, maridos e mulheres alheios uns aos outros.

Seu hábito usual era a mentira, faziam trapaças, difamação, fofocas, roubavam, numa total ausência de consideração para com os outros, demonstrando sequer conhecimento ou temor de Alá.

Muitos dentre eles se chamavam a si mesmos muçulmanos.

De fato, alguns eram considerados por eles como sendo homens sábios, sheiks, mestres, homens de conhecimento e pregadores.

Alguns dentre eles que tomaram consciência dos mandamentos de Alá, do que é correto e legítimo aos olhos de Alá e dos homens, e daquilo que Alá proíbe, tentaram agir de acordo com isso, e gostaram tanto, que não puderam mais se associar às pessoas da cidade.

Tampouco pediram aos habitantes da cidade que os tolerassem.

Escutei que haviam se refugiado na cidade guarnecida de muros que havia visto no centro desse reino.

Fiquei nesta cidade por um tempo.

Afinal, encontrei alguém a quem podia escutar e entender o que eu dizia. Perguntei-lhe o nome do lugar.

Me disse que era Anmara, a cidade arrogante, a cidade da liberdade, onde cada um fazia o que lhe aprouvesse.

Perguntei sobre sua condição.

Ele me disse que era a cidade da alegria, resultante da sua falta de compromisso, e de sua ausência de tédio.

Na charmosa escuridão que a rodeava, cada um se imaginava o único.

Perguntei-lhe o nome de seu governante.

Me informou que era chamado Aqli Maash, Sua Alteza a Habilidade, e que era um astrólogo, um encantador e um engenheiro que construía as casas, um médico que dava a vida a quem de outra maneira teria morrido.

Um inteligente e culto rei que não havia igual no mundo.

Seus conselheiros e ministros eram chamados Lógica, seus juízes dependiam da antiga lei do sentido comum, seus administradores eram chamados Imaginação e Devaneios.

Me disse que todos os cidadãos eram totalmente leais ao seu governante, não somente respeitando-o e apreciando-o, assim como a seu governo, mas também amando-o, já que todos sentiam uma grande afinidade em suas naturezas, seus costumes e condutas.

“Ele respondeu: “Eu…. o que pode descobrir como derivar benefício pessoal desse mundo, ainda assim, se meu benefício é a perda deles. Eu sou o ideal deles. Eu tenho um agente dentro de cada um deles. Eles são meus servidores, e os servidores de meus agentes neles. Mas eu também tenho um amo que me guia, e esse é o diabo. Ninguém aqui é capaz de mudar o seu caminho, e todos estão satisfeitos e pensam de si mesmos como se cada um deles fosse melhor do que os outros. Nenhum deles possui vontade de mudar, e em conseqüência, não mudará. ”

Quando escutei isso, desejei deixar a cidade e me propus a fugir.

segue ….




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Claudia Araujo

Aquário com Gêmeos, sou muitas e uma só. Por amar criar com as mãos, sou designer de biojóias e mantenho o site terrabrasillis.com, assim como pinto aquarelas e outras ¨manualidades¨. Por não me entender sem a busca do mundo interno do outro, sou astróloga com 4 anos e meio de formação em psicologia analítica sob a supervisão de José Raimundo Gomes no CBPJ – ISER e já mantive por anos o site Meio do Céu. Nessa nova etapa mantenho o site grupomeiodoceu.com. Dou consultas astrológicas e promovo grupos de estudo de Jung e Astrologia, presenciais e online. São várias vidas vividas numa única existência, mas minha verdadeira história começa aos 36 anos, e o que vivi antes ou minha formação acadêmica anterior, já nem lembro, foi de outra Claudia que se encerrou em 1988. Só sei que uso cotidianamente aquilo em que me tornei, e busco sempre não passar de raspão pelo mapa astrológico do outro. Mergulhar é preciso, e ajudar o outro a se transformar, algo imprescindível. Só o verdadeiro autoconhecimento pode gerar transformação. Não existe mágica, e essa autotransformação não ocorre via profissional, mas apenas através do real interesse do cliente em buscar reconhecer como se manifesta em sua vida cotidiana e qual seu potencial para a transformação. Todos somos mais do que aquilo que vivenciamos. A busca deve passar sempre pelo reconhecimento daquele eu desconhecido que em nós mesmos habita. A Astrologia é um facilitador nessa busca porque nela estão contidos tanto nossos aspectos luz quanto sombra. Ela resolve nossos problemas? A resposta é não. Ela apenas orienta no sentido do reconhecimento de nossa totalidade. A busca é do cliente. A leitura é do astrólogo, mas só o cliente poderá encontrar o caminho de sua totalidade e crescimento responsável. websites : www.terrabrasillis.com e www.grupomeiodoceu.com Fale com Claudia direto no Whatsapp

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